Fala-me de Amor...
17:30
Fala-me de amor. Não daquele que vejo passar, diariamente, em
modo repetição nas novelas, séries e filmes ou daquele que se desdobra e se
revela em letras num livro. Não do tipo de amor que se ouve nas músicas que
passam nas rádios ou nos telemóveis. Não quero o amor que se diz sentir ou que
se diz viver.
Fala-me, sim, do amor na sua verdadeira essência. Aquele que
nasce e envelhece, nunca perdendo a sua força, o seu magnetismo, a sua
intensidade e que segue de forma constante, trazendo consistência e aquele em que
o toque das peles são choques elétricos que provocam arrepios na alma.
Amor que se conecta em laços, olhares cruzados e em toques
conhecidos. Amor conectado que liga o coração à razão.
O tipo de amor que faz parecer que estamos a morrer por tal. Um coração que bate descontrolado de emoção e a queda iminente
no abismo que se abre constantemente, perante nós. A ansiedade sentida no nó que se
forma na barriga e que nos faz cometer loucuras e pequenos vícios.
Pequenos vícios do grande vício que é o amor.
Fala-me desta sensação. A sensação de não caminhar só e de
só querer caminhar, lado a lado, de mãos entrelaçadas. A segurança, a liberdade e
a felicidade, em sintonia numa melodia perfeita.
Dizem que cura marcas e que apazigua a dor das cicatrizes
deixadas pelas feridas.
Ouvi dizer que leva para longe a solidão e que preenche, em
brisas suaves, como carícias eternas, o vazio do coração.
Pensamentos profundos em noites frias que levam a silêncios absolutos
nos dias. E é no silêncio de dois corpos que se estende a compreensão.
Fala-me como é alguém olhar para ti, despir-te a mente e
transformar-te num livro aberto.
Diz-me como é ser a metade da vida de alguém. Como é dois
corações entrarem em colapso e tornarem-se um só. Como é que metades
incompletas se completam?
Não quero o amor perfeito. Quero sentir o amor real e
vivê-lo.
Não me fales de amor. Mostra-me.


3 comentários
"Não me fales de amor. Mostra-me." Verdade! Que texto tão bonito! Quando escreves um livro? É só para não te esqueceres disso ahaha
ResponderEliminarQue texto tão bonito! Espelhas nele a real essência do amor, que como dizes não é aquele que se fala em novelas ou em canções, é o amor perfeitamente imperfeito e que é o real amor.
ResponderEliminarAdorei sobretudo quando dizes "Fala-me como é alguém olhar para ti, despir-te a mente e transformar-te num livro aberto.", porque para mim isso é uma das grandes revelações de amor :)
Fala-se... Fala-se, não, respira-se amor genuíno por aqui! O texto está lindíssimo *.*
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