Não sabia nada...

18:30

Diziam que nada sabia…
Falava a revolta que se estendia na imensidão do mar e que se agitava nas ondas que pareciam nunca acabar. Sentia a liberdade na sola do pé que lhe fazia rodopiar e dançar ao som da vida.
Acariciava-lhe a rebeldia numa brisa fresca e repentina e provava a loucura em cubos de açúcar.
A paz que demonstrava no rosto não se comparava à tempestade que lhe corrompia por dentro.
Enfrentava a escuridão da noite que escondia os medos e olhava para os dias que contavam os seus segredos.
Picava-se nos erros e aprendia a colher lições.
A chama ardia no seu esplendor e vibrava a cada batida frenética e descompensada do coração. Tinha a alma aquecida num copo de vinho e ficava embebida em emoção.
Soltava a tristeza na chuva que caia e chocava com a realidade, quando na pele quente lhe tocava a água gelada.
Sussurros que gritavam no barulho do silêncio… era assim que sentia o amor. Num mundo antagónico e feitos de antónimos e sinónimos. Amor e ódio eram semelhantes, irmãos de sangue com feitios diferentes. Ambos intensos e viciantes.
Descobria em forma de momentos inesquecíveis as partidas que o destino lhe pregava.
Fechava a porta a oportunidades e corria atrás de arrependimentos. Soltava frustrações em suspiros lentos.
Consumia as letras espalhadas nos livros, com intenção de um dia ver espelhadas as expetativas criadas.
Não procurava a felicidade mas tropeçava nela de vez em quando. Achava as coisas simples as mais perfeitas e dizia que a perfeição da vida era ser tão imperfeita.
Diziam que tinha muito que aprender mas o pouco que sabia era o quase tudo para ela.
Afinal de contas, ela vivia o sentimento e sentia a vida. Levava o mundo nos olhos e ia de olhos postos no mundo.
Ela sabia e sentia.


rapariga a olhar para o rio




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